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11/06/2008 12:08

Renato Gaúcho

Escreve Silvério Amora


Reproduzo,mais uma vez,um artigo de Sérgio Xavier.De novo,ele é o único jornalista que tem a coragem de escrever sobre o Renato Gaúcho e seus erros táticos.

Escreve Sérgio Xavier

O risco Renato Gaúcho
É do ser humano, não tem jeito. Ganhou, é gênio. Perdeu, um idiota. É difícil a gente perceber problemas nas vitórias e virtudes nas derrotas. O Fluminense passou pelo São Paulo e pelo Boca Juniors. Está na final da Libertadores. Como criticar um time que consegue tamanhos feitos?

Renato Gaúcho, o comandante desse Flu vitorioso, porém, merece uma análise a parte. Será que ele acertou em todas as suas escolhas? Na minha opinião, não. No primeiro jogo contra o São Paulo, no Morumbi, tirou o argentino Conca para colocar Dodô. Conca estava voando, Dodô, voltando. O meio-campo ficou despovoado e o São Paulo jantou o Flu. O 1 x 0 foi realmente uma benção de João de Deus (o Papa, que virou nos anos 80 cântico da torcida do Fluminense). Renato até tentou recompor o meio colocando Conca, mas não teve coragem de admitir o erro e tirou Thiago Neves, não Dodô.

No jogo de volta, no Maracanã, Renato escalou o time ideal, com um meio forte. Estava bem no jogo, só que o 1 x 0 do primeiro tempo era insuficiente. Resolveu ousar. Tirou Arouca, botou Dodô e, mais uma vez, entregou o meio-campo para o adversário. O São Paulo cresceu e empatou. E, por sorte ou alguma ordem superiora dos céus, saíram dois gols e o Fluminense passou para as semifinais.

Na primeira partida, contra o Boca, Palácio não recebeu marcação especial e Arouca não deu conta de Riquelme. Difícil dizer se Renato poderia ter consertado algo, afinal o Boca é um perigo mesmo. Mas no jogo de volta, Renato, ao tomar o gol de Palermo, substituiu o volante Igor pelo atacante Dodô. Desespero desculpável, o Flu precisava mesmo de um gol. Mas o gol de Washington de falta saiu logo, o técnico precisava rapidamente recompor o meio campo. Renato ficou na beira do campo torcendo e berrando com o time. Não viu o principal, não percebeu que o Boca crescia e se aproximava do seu gol. Mais uma vez, tudo deu certo, um gol de Conca e a tampa do caixão pregada por Dodô. Por sorte ou porque estava escrito nas estrelas, Renato não pagou pelo seu erro.

Para terminar, o jogo de Porto Alegre pelo Brasileirão. O Fluminense prioriza a Libertadores, mas deve somar uns pontinhos para não perder o contato com o pelotão de cima. Até porque, se a Libertadores não vier, é necessário acabar entre os quatro primeiros para conseguir vaga para o torneio continental do ano que vem. O que faz Renato para o jogo contra o Grêmio? Escala Dodô, Conca, Thiago Neves e Washington. Quatro jogadores ofensivos, contra um time cascudo como o Grêmio. E quatro jogadores com óbvias dificuldades para se desligarem das glórias da Libertadores da quarta passada. O Grêmio só não goleou porque faltou capricho. O 2 x 1 não traduziu o jogo. Renato Gaúcho escalou seu time mais alegre por soberba, por achar que é o rei da cocada preta. Como jogador, Renato já foi o rei do Rio. Para receber a coroa de técnico é preciso bem mais. O Fluminense deveria ser favoritaço contra a LDU. Se Renato não voltar das nuvens, o time pode perder uma chance ímpar de conquistar sua primeira Libertadores.

enviada por LEDSport






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